Se você quer proteger seu dinheiro da inflação sem abrir mão da segurança do Tesouro Nacional, os ETFs de renda fixa indexados ao IPCA são uma das melhores opções disponíveis hoje na B3. Dois nomes se destacam: o veterano B5P211 e o recém-chegado GPAC11.

Neste artigo vamos comparar os dois em tudo que importa: taxa, risco, rentabilidade e para quem cada um faz mais sentido.

O que são esses ETFs?

GPAC11 — O novato do Grupo Primo

Lançado em 2025 pelo Grupo Primo (do canal "Me Poupe!"), o GPAC11 é um ETF passivo que replica um índice criado pela TA Índices. A carteira é composta por NTN-Bs (Tesouro IPCA+) com prazo de vencimento de até 2 anos, mantendo volatilidade baixa e previsível.

O grande diferencial: taxa de administração de apenas 0,10% ao ano — a mais barata entre os ETFs de inflação disponíveis na B3. A liquidez é garantida pelo BTG como formador de mercado, operando das 11h às 16h45.

B5P211 — O consolidado da Itaú Asset

Gerido pela Itaú Asset Management e lançado em 2020, o B5P211 replica o índice IMA-B5 P2, calculado pela ANBIMA. A carteira é formada por NTN-Bs com vencimentos de até 5 anos — um prazo um pouco maior que o do GPAC11, o que traz ligeiramente mais volatilidade, mas também maior potencial de ganho em cenários de queda de juros.

Com mais de R$ 2,8 bilhões em patrimônio e volume diário superior a R$ 5 milhões, é um dos ETFs de renda fixa mais líquidos do mercado brasileiro.

Comparativo direto

CaracterísticaGPAC11B5P211
GestoraGrupo Primo / TA ÍndicesItaú Asset Management
Índice replicadoÍndice TA (IPCA+ curto)IMA-B5 P2 (ANBIMA)
Prazo dos títulosAté ~2 anosAté ~5 anos
Taxa de administração0,10% a.a.0,20% a.a.
Rentabilidade 12 mesesEm apuração (ETF novo)~11,74%
Patrimônio líquidoEm crescimento~R$ 2,87 bilhões
Formador de mercadoBTGItaú BBA
Tributação (IR)15% sobre o lucro15% sobre o lucro
DividendosNão distribuiNão distribui

Rentabilidade: o que os dados dizem

O B5P211 tem histórico desde 2020. Nos últimos 12 meses entregou ~11,74% (retorno real de ~7,58% acima da inflação). Em 2 anos acumulou ~21,09%.

O GPAC11 é novo demais para ter histórico real consolidado, mas o backtesting divulgado pelo gestor desde 2016 mostra 100% de retornos positivos em janelas de 12 meses e superação do CDI em 64–77% das janelas de 3 a 5 anos.

📌 Por que a taxa de 0,10% importa?
Em R$ 50.000 investidos por 10 anos, a diferença entre pagar 0,10% e 0,20% ao ano representa mais de R$ 500 a mais no bolso com o GPAC11 — sem fazer nenhum esforço.

Risco: qual é mais volátil?

Ambos investem em títulos públicos federais — o risco de crédito é o mais baixo possível no Brasil. A diferença está no risco de mercado: títulos mais longos oscilam mais com variações na taxa de juros.

Como o GPAC11 tem prazo médio menor (até 2 anos), suas cotas tendem a oscilar menos no curto prazo. Já o B5P211, com vencimentos de até 5 anos, pode apresentar quedas maiores em momentos de alta de juros — mas também subidas maiores quando os juros caem.

🏆
Menor volatilidade: GPAC11 — indicado para quem não suporta ver a cota oscilar muito no curto prazo.

Para quem é cada ETF?

Escolha o GPAC11 se você…

Escolha o B5P211 se você…

💡 Estratégia inteligente: Nada impede de ter os dois. O GPAC11 protege com menor volatilidade enquanto o B5P211 captura oportunidades em cenários de corte de juros. Uma divisão 50/50 pode ser o equilíbrio ideal.

Como investir?

Os dois são negociados na B3 como ações. Basta ter conta em uma corretora (XP, Rico, Nu Invest, BTG, Itaú, entre outras), abrir o home broker e buscar pelos tickers GPAC11 ou B5P211. O investimento mínimo é o valor de uma cota — em torno de R$ 100 a R$ 110.

Não há taxa de corretagem em muitas plataformas para ETFs, mas confirme com a sua corretora antes de operar.

Perguntas frequentes

GPAC11 e B5P211 são seguros?

Sim. Ambos investem exclusivamente em títulos do Tesouro Nacional indexados ao IPCA, que possuem garantia do governo federal. O risco de crédito é praticamente zero; o risco existente é o de mercado (oscilação de preço das cotas).

Qual a diferença entre GPAC11 e B5P211?

O GPAC11 é mais novo, tem taxa de administração menor (0,10% a.a. contra 0,20% do B5P211) e foco em títulos com prazo de até 2 anos. O B5P211 replica o IMA-B5 P2, com vencimentos de até 5 anos, maior patrimônio e mais liquidez.

ETF de renda fixa paga dividendos?

Não. Tanto o GPAC11 quanto o B5P211 reinvestem automaticamente os rendimentos nas cotas. O ganho para o investidor ocorre na valorização da cota, com IR de 15% sobre o lucro no momento da venda.

Posso investir com pouco dinheiro?

Sim. Uma cota do B5P211 custa em torno de R$ 107 e do GPAC11 os valores são semelhantes. Você começa com pouco e compra pelo home broker de qualquer corretora.

Qual é o imposto de renda dos ETFs de renda fixa?

Alíquota fixa de 15% sobre o lucro na venda, independentemente do prazo. Não há isenção para vendas abaixo de R$ 20.000 como nas ações — essa regra não se aplica a ETFs de renda fixa.