Se você quer proteger seu dinheiro da inflação sem abrir mão da segurança do Tesouro Nacional, os ETFs de renda fixa indexados ao IPCA são uma das melhores opções disponíveis hoje na B3. Dois nomes se destacam: o veterano B5P211 e o recém-chegado GPCA11.
Neste artigo vamos comparar os dois em tudo que importa: taxa, risco, rentabilidade e para quem cada um faz mais sentido.
O que são esses ETFs?
GPCA11 — O novato da Grão (Grupo Primo)
Lançado em 19 de maio de 2026 pela Grão, gestora de fundos do Grupo Primo (empresa de Thiago Nigro, o "Primo Rico"), o GPCA11 é um ETF passivo que replica o índice Teva ITBR Tesouro IPCA 2 Anos. A carteira é composta por NTN-Bs (Tesouro IPCA+) com prazo de vencimento de até 2 anos, mantendo volatilidade baixa e previsível.
O grande diferencial: taxa total de apenas 0,10% ao ano (0,075% de administração + 0,025% de custódia) — uma das mais baratas entre os ETFs de inflação disponíveis na B3.
B5P211 — O consolidado da Itaú Asset
Gerido pela Itaú Asset Management e lançado em 2020, o B5P211 replica o índice IMA-B5 P2, calculado pela ANBIMA. A carteira é formada por NTN-Bs com vencimentos de até 5 anos — um prazo um pouco maior que o do GPCA11, o que traz ligeiramente mais volatilidade, mas também maior potencial de ganho em cenários de queda de juros.
Com mais de R$ 2,8 bilhões em patrimônio, é um dos ETFs de renda fixa com maior liquidez do mercado brasileiro.
Comparativo direto
| Característica | GPCA11 (GPAC11) | B5P211 |
|---|---|---|
| Gestora | Grão (Grupo Primo) | Itaú Asset Management |
| Índice replicado | Teva ITBR Tesouro IPCA 2 Anos | IMA-B5 P2 (ANBIMA) |
| Lançamento | 19/05/2026 | 2020 |
| Prazo dos títulos | Até ~2 anos | Até ~5 anos |
| Taxa total | 0,10% a.a. | 0,20% a.a. |
| Cotação de referência | ~R$ 25 (jul/2026) | ~R$ 109 (jul/2026) |
| Rentabilidade 12 meses | Sem histórico (fundo tem menos de 3 meses) | ~12,6% |
| Patrimônio líquido | Em crescimento | ~R$ 2,87 bilhões |
| Tributação (IR) | Depende do PMR — conferir regulamento (ver seção de imposto) | 15% (PMR mantido acima de 720 dias) |
| Dividendos | Não distribui | Não distribui |
Cotação e rentabilidade de referência, com base em dados públicos consultados em 26/07/2026 (Investidor10, B3 e site da gestora Grão). ETFs oscilam a cada pregão — confirme o valor atual na sua corretora antes de investir.
Rentabilidade: o que os dados dizem
O B5P211 tem histórico desde 2020. Nos últimos 12 meses entregou ~12,6%. Rentabilidade passada não garante resultados futuros.
O GPCA11 foi lançado em maio de 2026 e por enquanto não tem 12 meses de histórico real — qualquer projeção de rentabilidade divulgada antes do lançamento é backtesting (simulação com dados passados), não desempenho real do fundo. Acompanhe a rentabilidade acumulada direto no site da gestora ou da B3 antes de decidir com base nesse número.
Em R$ 50.000 investidos por 10 anos, a diferença entre pagar 0,10% e 0,20% ao ano representa mais de R$ 500 a mais no bolso com o GPCA11 — sem fazer nenhum esforço.
Imposto de renda: a alíquota não é automática
Um detalhe que quase nenhum comparativo explica: em ETF de renda fixa, a alíquota de IR não depende de quanto tempo você segura a cota, e sim do prazo médio de repactuação (PMR) da carteira do fundo. A regra tem três degraus: 25% quando o PMR é de até 180 dias, 20% entre 181 e 720 dias e 15% acima de 720 dias.
É aqui que o prazo dos títulos de cada fundo vira dinheiro na prática. O B5P211 segue o IMA-B5 P2 — e o "P2" existe justamente para manter o prazo médio da carteira acima de 720 dias, garantindo o enquadramento na alíquota mínima de 15%. Já o GPCA11 carrega títulos de até cerca de 2 anos (~730 dias), ou seja, opera colado na fronteira entre os degraus de 20% e 15% — antes de investir, confira no regulamento ou na página oficial da Grão em qual faixa o fundo se enquadra, porque esses 5 pontos percentuais saem direto do seu lucro. Explicamos o mecanismo do "P2" em detalhe no comparativo IMAB11 ou B5P211.
Outro ponto que pega muita gente de surpresa: a isenção de IR para vendas de até R$ 20.000 por mês, famosa nas ações, não vale para ETFs — nem de renda fixa, nem de renda variável. Todo lucro na venda é tributado, com retenção na fonte.
Risco: qual é mais volátil?
Ambos investem em títulos públicos federais — o risco de crédito é o mais baixo possível no Brasil. A diferença está no risco de mercado: títulos mais longos oscilam mais com variações na taxa de juros.
Como o GPCA11 tem prazo médio menor (até 2 anos), suas cotas tendem a oscilar menos no curto prazo. Já o B5P211, com vencimentos de até 5 anos, pode apresentar quedas maiores em momentos de alta de juros — mas também subidas maiores quando os juros caem.
Para quem é cada ETF?
Escolha o GPCA11 se você…
- Quer a menor taxa possível (0,10% a.a.)
- Prefere menor volatilidade e mais previsibilidade
- Investe no médio prazo (2 a 4 anos)
- É iniciante e quer simplicidade sem perder para a inflação
Escolha o B5P211 se você…
- Quer um ETF com histórico comprovado e alta liquidez
- Acredita que os juros vão cair no médio prazo (títulos mais longos se beneficiam)
- Prefere um produto gerido por uma instituição tradicional (Itaú)
- Faz aportes maiores e quer garantir execução com spread mínimo
Como investir?
Os dois são negociados na B3 como ações. Basta ter conta em uma corretora (XP, Rico, Nu Invest, BTG, Itaú, entre outras), abrir o home broker e buscar pelos tickers GPCA11 ou B5P211. O investimento mínimo é o valor de uma cota — cerca de R$ 25 no GPCA11 e R$ 109 no B5P211 (referência de julho de 2026; confirme na sua corretora).
Não há taxa de corretagem em muitas plataformas para ETFs, mas confirme com a sua corretora antes de operar.
Perguntas frequentes
O ticker é GPAC11 ou GPCA11?
O ticker correto na B3 é GPCA11. "GPAC11" é uma troca comum das duas últimas sílabas e não existe como código de negociação — se você digitar GPAC11 na sua corretora, não vai encontrar o ativo. Mantemos as duas grafias neste artigo porque é assim que a maioria das pessoas pesquisa, mas na hora de comprar, use GPCA11.
Qual a cotação do GPCA11 hoje?
A cota do GPCA11 gira em torno de R$ 25 (fundo lançado em maio de 2026, com cotas de valor mais baixo que o B5P211). Como é um ETF, o preço muda a cada pregão — confirme o valor em tempo real no home broker da sua corretora ou no site da B3 antes de investir.
GPCA11 e B5P211 são seguros?
Sim. Ambos investem exclusivamente em títulos do Tesouro Nacional indexados ao IPCA, que possuem garantia do governo federal. O risco de crédito é praticamente zero; o risco existente é o de mercado (oscilação de preço das cotas).
Qual a diferença entre GPCA11 e B5P211?
O GPCA11 é mais novo (lançado em maio de 2026 pela Grão, gestora de fundos do Grupo Primo), tem taxa total menor (0,10% a.a. contra 0,20% do B5P211) e foco em títulos com prazo de até 2 anos, seguindo o índice Teva ITBR Tesouro IPCA 2 Anos. O B5P211 replica o IMA-B5 P2, com vencimentos de até 5 anos, maior patrimônio e mais liquidez.
ETF de renda fixa paga dividendos?
Não. Tanto o GPCA11 quanto o B5P211 reinvestem automaticamente os rendimentos nas cotas. O ganho para o investidor ocorre na valorização da cota, com incidência de imposto de renda retido na fonte no momento da venda — a alíquota depende do prazo médio da carteira de cada fundo, como explicamos na pergunta sobre imposto de renda.
Posso investir com pouco dinheiro?
Sim. Uma cota do B5P211 custa em torno de R$ 109 e do GPCA11, cerca de R$ 25. Você começa com pouco e compra pelo home broker de qualquer corretora.
Qual é o imposto de renda dos ETFs de renda fixa?
A alíquota depende do prazo médio de repactuação (PMR) da carteira do fundo, e não do tempo que você fica com a cota: 25% quando o PMR é igual ou inferior a 180 dias, 20% entre 181 e 720 dias, e 15% acima de 720 dias. Por isso vale conferir o enquadramento no regulamento de cada ETF antes de investir — explicamos essa regra em detalhe no artigo IMAB11 ou B5P211. Vale lembrar também que não existe isenção para vendas abaixo de R$ 20.000 como nas ações; essa regra não se aplica a ETFs de renda fixa.